Arte urbana em Lisboa by Vhils

A arte urbana permeia cada vez mais a paisagem de Lisboa. Embora a fronteira entre vandalismo e arte é muitas vezes difícil de traçar e flui em função de gostos pessoais, já várias obras nos espaços públicos da capital ganharam a simpatia dos lisboetas, tornando-se também cada vez mais procuradas pelos turistas.

Tal como seguir a rota das obras de Banksy em Bristol pode ser uma maneira diferente, e às vezes muito íntima, de conhecer aquela cidade inglesa, uma ‘caça’ aos graffitis de Lisboa é uma forma de lançar um novo olhar sobre o tecido urbano da capital.

Arte urbana embeleza, mas também provoca reflecção.  Como uma forma de expressão artística contestatória, encontra inspiração em fenómenos preocupantes da contemporaneidade - guerra, propaganda, consumismo desenfreado, assim como nos aspectos universais da condição humana.

Entre várias modalidades em que a street art se manifesta domina grafismo – geralmente graffiti. Os seus foros preferidos são lugares algo inesperados, pouco óbvios, em muitos casos não compatíveis, ao primeiro olhar, com qualquer forma de arte. O terreno esteticamente árido dos prédios devolutos, fábricas abandonadas, becos escuros, acolhe no entanto a arte, transforma-a e é por ela transformado.

Nos últimos anos um nome tem ocupado o lugar de destaque na cena da arte urbana de Lisboa - o de Alexandre Farto, conhecido também como Vhils.

Vhils distingue-se dos outros artistas urbanos pela técnica que utiliza na sua obra. Embora começou o seu percurso artístico com uma lata de tinta na mão, pintando paredes e comboios, hoje as suas ferramentas principais são formão e martelo, martelo pneumático e, recentemente, também explosivos.

Criação através de destruição? Sim. As obras mais icónicas de Vhils são cravadas nas paredes dos prédios, num processo moroso, violento, que vai revelando as camadas antigas de tinta e de tijolo. A camadas históricas e culturais desta forma expostas concedem uma terceira dimensão a obra de Farto, permitindo uma colaboração criativa entre o passado e o presente.


A tela de Vhils também podem ser posters antigos colados juntos; rasgar pode ser a forma de criar.

A inspiração de Alexandre Farto são habitualmente os rostos de pessoas anónimas, comuns, os ‘herois do dia a dia’ das cidades.

Obras de Vhils em Lisboa
Apesar do sucesso internacional o artista não ambiciona importalizar a sua arte. Pelo contrário, a destruição que levou à criação da sua obra em primeiro lugar, é um destino natural de todas as coisas, incluindo a arte.

Algumas dos murais do artista desapareceram já do panorama de Lisboa juntamente com os prédios em cujas paredes foram cravados. O próprio artista limita-se a comentar a destruição da sua obra com o lacónico ‘Nada dura para sempre’.


“Dissecção”, junto a LX Factory deixou de existir em 2018

Onde ver as obras de Vhils em Lisboa? Deixamos abaixo algumas sugestões:

- o pátio do restaurante na Rua das Gaivotas 8, no Chiado

- Fábrica do Braço de Prata

- Rua de São Tomé, junto ao Castelo de São Jorge. Aqui o artista utilizou um médium diferente – mosaicos – para criar o retrato de Amália Rodrigues.

- Cais do Jardim do Tobaco, Avenida Infante Dom Henrique; obra em colaboração com Pixel Pancho:

- Rua de Cascais, Alcântara.

Poderá ainda admirar as criações de Vhils no interior do teatro D. Maria II e no restaurante Honorato no Chiado.

Vhils no estrangeiro
A arte de Alexandre Farto é apreciada também fora de Portugal. Os seus murais enfeitam as cidades com alma em várias partes do mundo, entre outros Londres, Moscovo, Bogotá, Nova Iorque e Los Angeles.


Vhils em Moscovo.

A nova forma de esculpir as elevações através de explorações controladas, cuidadosamente planeadas, teve protagonismo no vídeo clip de Raised by Wolves da banda U2.

Em reconhecimento dos seus méritos no campo artístico, em 2015 Alexandre Farto foi distinguido com a condecoração de Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.


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